ALERTA! CUIDADO AO ADERIR AO PDV OFERECIDO PELO SEU EMPREGADOR

PDV (Plano de Demissão Voluntária) é um plano em que certa empresa oferece diversas “vantagens” que não seriam devidas caso houvesse dispensa sem justa causa aos seus funcionários – e que neste momento já estão sendo largamente propostos aos trabalhadores, considerando a Reforma Trabalhista de 2017 que já foi aprovada e que permite a terceirização para atividades-fim.

Esse plano decorre de uma transação extrajudicial entre empregado e empregador – mas que deveria contar com a participação do Sindicato da categoria – visando a rescisão do Contrato de Trabalho.

É preciso estar alerta porque em muitos PDV’s há a seguinte (ou similar) cláusula:

“[...] o recebimento dos valores pagos a título de rescisão contratual e indenização, implicará plena quitação de todas as verbas referentes ao Contrato de Trabalho, não havendo sobre ele nada mais a reclamar nem pleitear a qualquer título”.

perigoAssim, ao aderir ao PDV, o trabalhador exclui a responsabilidade do empregador em ter que eventualmente pagar verbas trabalhistas que não foram consideradas pelo PDV.

Essa cláusula era considerada nula pelo TST, conforme OJ (Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho) 270 da SEÇÃO DE DISSÍDIOS INDIVIDUAIS (Subseção I):

“PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PARCELAS ORIUNDAS DO EXTINTO CONTRATO DE TRABALHO. EFEITOS (inserida em 27.09.2002). A transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho ante a adesão do empregado a plano de demissão voluntária implica quitação exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo”.

Neste entendimento, os Direitos Trabalhistas são indisponíveis e irrenunciáveis, portanto, a quitação somente libera o empregador das parcelas especificadas no recibo, como prevê o artigo 477parágrafo 2º, da CLT.

Entretanto, no RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 590415, em que uma bancária, mesmo após aderir PDV aprovado em Convenção Coletiva do Sindicato, reivindicava benefícios que não foram pagos durante o período que trabalhava junto ao Banco do Brasil S/A (horas extras, auxílio refeição e participação nos lucros, etc…). Em troca da renúncia dos seus Direitos, a recorrida recebeu uma indenização de cerca de R$ 129 mil (cento e vinte e nove mil reais), aceitando sua dispensa do emprego.

Nesse recurso o STF, por unanimidade, decidiu que:

“… Enseja quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego caso essa condição tenha constado expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados com o empregado”.

Isto quer dizer que, com o entendimento do STF, aquele que aderir o Plano de Demissão Voluntária (PDV), aprovado em acordo coletivo, não terá direito de reclamar, posteriormente, na Justiça eventuais benefícios trabalhistas não pagos durante o contrato.

Essa decisão pode causar grande perda para o trabalhador, pois sabemos que, embora haja intervenção do sindicato, via de regra acordado é o melhor para a empresa.

É necessária grande cautela por parte do empregado/trabalhador no momento de aderir ao PDV, uma vez que a partir de então não poderá mais reclamar as verbas trabalhistas não fixadas no acordo.

Faz-se muito pertinente mencionar que, agora é ainda mais importante que o trabalhador busque as devidas orientações antes de tomar qualquer decisão que vá dispor dos seus direitos.

Especificamente no caso do PDV oferecido pelo Banco Bradesco, o Sindicato dos Bancários não participou da negociação, por não concordar com as propostas. Então, que fique o ALERTA!

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http://www.lfpradvogados.com.br

 

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REFORMA TRABALHISTA É APROVADA NO SENADO FEDERAL

Confira quais são as principais mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista de 2017:

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1º – FÉRIAS

Regra atual: As férias de 30 dias podem ser fracionadas em até dois períodos, sendo que um deles não pode ser inferior a 10 dias. Há possibilidade de 1/3 do período ser pago em forma de abono.

Nova regra: As férias poderão ser fracionadas em até três períodos, mediante negociação, contanto que um dos períodos seja de pelo menos 15 dias corridos.

2º – JORNADA DE TRABALHO

Regra atual: A jornada é limitada a 8 horas diárias, 44 horas semanais e 220 horas mensais, podendo haver até 2 horas extras por dia.

Nova regra: Jornada diária poderá ser de 12 horas com 36 horas de descanso, respeitando o limite de 44 horas semanais (ou 48 horas, com as horas extras) e 220 horas mensais.

3º – TEMPO NA EMPRESA

Regra atual: A CLT considera serviço efetivo o período em que o empregado está à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens.

Nova regra: Não são consideradas dentro da jornada de trabalho as atividades no âmbito da empresa como descanso, estudo, alimentação, interação entre colegas, higiene pessoal e troca de uniforme.

4º – DESCANSO

Regra atual: O trabalhador que exerce a jornada padrão de 8 horas diárias tem direito a no mínimo uma hora e a no máximo duas horas de intervalo para repouso ou alimentação.

Nova regra: O intervalo dentro da jornada de trabalho poderá ser negociado, desde que tenha pelo menos 30 minutos. Além disso, se o empregador não conceder intervalo mínimo para almoço ou concedê-lo parcialmente, a indenização será de 50% do valor da hora normal de trabalho apenas sobre o tempo não concedido em vez de todo o tempo de intervalo devido.

5º – REMUNERAÇÃO

Regra atual: A remuneração por produtividade não pode ser inferior à diária correspondente ao piso da categoria ou salário mínimo. Comissões, gratificações, percentagens, gorjetas e prêmios integram os salários.

Nova regra: O pagamento do piso ou salário mínimo não será obrigatório na remuneração por produção. Além disso, trabalhadores e empresas poderão negociar todas as formas de remuneração, que não precisam fazer parte do salário.

6º – PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS

Regra atual: O plano de cargos e salários precisa ser homologado no Ministério do Trabalho e constar do Contrato de Trabalho.

Nova regra: O plano de carreira poderá ser negociado entre patrões e trabalhadores sem necessidade de homologação nem registro em contrato, podendo ser mudado constantemente.

7º – TRANSPORTE

Regra atual: O tempo de deslocamento no transporte oferecido pela empresa para ir e vir do trabalho, cuja localidade é de difícil acesso ou não servida de transporte público, é contabilizado como jornada de trabalho.

Nova regra: O tempo despendido até o local de trabalho e o retorno, por qualquer meio de transporte, não será computado na jornada de trabalho.

8º – TRABALHO INTERMITENTE (POR PERÍODO)

Regra atual: A legislação atual não contempla essa modalidade de trabalho.

Nova regra: O trabalhador poderá ser pago por período trabalhado, recebendo pelas horas ou diária. Ele terá direito a férias, FGTS, previdência e 13º salário proporcionais.

No contrato deverá estar estabelecido o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor do salário mínimo por hora ou à remuneração dos demais empregados que exerçam a mesma função.

O empregado deverá ser convocado com, no mínimo, três dias corridos de antecedência.

No período de inatividade, pode prestar serviços a outros contratantes.

homeoffice9º – TRABALHO REMOTO (HOME OFFICE)

Regra atual: A legislação não contempla essa modalidade de trabalho.

Nova regra: Tudo o que o trabalhador usar em casa será formalizado com o patrão via contrato, como equipamentos e gastos com energia e internet, e o controle do trabalho será feito por tarefa.

10º – TRABALHO PARCIAL

Regra atual: A CLT prevê jornada máxima de 25 horas por semana, sendo proibidas as horas extras. O trabalhador tem direito a férias proporcionais de no máximo 18 dias e não pode vender dias de férias.

Nova regra: A duração pode ser de até 30 horas semanais, sem possibilidade de horas extras semanais, ou de 26 horas semanais ou menos, com até 6 horas extras, pagas com acréscimo de 50%. Um terço do período de férias pode ser pago em dinheiro.

11º – NEGOCIAÇÃO

Regra atual: Convenções e acordos coletivos podem estabelecer condições de trabalho diferentes das previstas na legislação apenas se conferirem ao trabalhador um patamar superior ao que estiver previsto na lei.

Nova regra: Convenções e acordos coletivos poderão prevalecer sobre a legislação. Assim, os sindicatos e as empresas podem negociar condições de trabalho diferentes das previstas em lei, mas não necessariamente num patamar melhor para os trabalhadores.
Em negociações sobre redução de salários ou de jornada, deverá haver cláusula prevendo a proteção dos empregados contra demissão durante o prazo de vigência do acordo. Esses acordos não precisarão prever contrapartidas para um item negociado.

Acordos individualizados de livre negociação para empregados com instrução de nível superior e salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do INSS (R$ 5.531,31) prevalecerão sobre o coletivo.

12º – PRAZO DE VALIDADE DAS NORMAS COLETIVAS

Regra atual: As cláusulas dos acordos e convenções coletivas de trabalho integram os contratos individuais de trabalho e só podem ser modificados ou suprimidos por novas negociações coletivas. Passado o período de vigência, permanecem valendo até que sejam feitos novos acordos ou convenções coletivas.

Nova regra: O que for negociado não precisará ser incorporado ao contrato de trabalho. Os sindicatos e as empresas poderão dispor livremente sobre os prazos de validade dos acordos e convenções coletivas, bem como sobre a manutenção ou não dos direitos ali previstos quando expirados os períodos de vigência. E, em caso de expiração da validade, novas negociações terão de ser feitas.

13º – REPRESENTAÇÃO

Regra atual: A Constituição assegura a eleição de um representante dos trabalhadores nas empresas com mais de 200 empregados, mas não há regulamentação sobre isso. Esse delegado sindical tem todos os direitos de um trabalhador comum e estabilidade de dois anos.

Nova regra: Os trabalhadores poderão escolher 3 funcionários que os representarão em empresas com no mínimo 200 funcionários na negociação com os patrões. Os representantes não precisam ser sindicalizados. Os sindicatos continuarão atuando apenas nos acordos e nas convenções coletivas.

14º – DEMISSÃO

Regra atual: Quando o trabalhador pede demissão ou é demitido por justa causa, ele não tem direito à multa de 40% sobre o saldo do FGTS nem à retirada do fundo. Em relação ao aviso prévio, a empresa pode avisar o trabalhador sobre a demissão com 30 dias de antecedência ou pagar o salário referente ao mês sem que o funcionário precise trabalhar.

Nova regra: O contrato de trabalho poderá ser extinto de comum acordo, com pagamento de metade do aviso prévio e metade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS. O empregado poderá ainda movimentar até 80% do valor depositado pela empresa na conta do FGTS, mas não terá direito ao seguro-desemprego.

15º – DANOS MORAIS

Regra atual: Os juízes estipulam o valor em ações envolvendo danos morais.

Nova regra: A proposta impõe limitações ao valor a ser pleiteado pelo trabalhador, estabelecendo um teto para alguns pedidos de indenização. Ofensas graves cometidas por empregadores devem ser de no máximo 50 vezes o último salário contratual do ofendido.

16º – CONTRIBUIÇÃO SINDICAL

Regra atual: A contribuição é obrigatória. O pagamento é feito uma vez ao ano, por meio do desconto equivalente a um dia de salário do trabalhador.

Nova regra: A contribuição sindical será opcional.

17º – TERCEIRIZAÇÃO

Regra atual: O presidente Michel Temer sancionou o projeto de lei que permite a terceirização para atividades- fim.

Nova regra: Haverá uma quarentena de 18 meses que impede que a empresa demita o trabalhador efetivo para recontratá-lo como terceirizado. O texto prevê ainda que o terceirizado deverá ter as mesmas condições de trabalho dos efetivos, como atendimento em ambulatório, alimentação, segurança, transporte, capacitação e qualidade de equipamentos.

18º – GRAVIDEZ

Regra atual: Mulheres grávidas ou lactantes estão proibidas de trabalhar em lugares com condições insalubres.

Não há limite de tempo para avisar a empresa sobre a gravidez.

Nova regra: É permitido o trabalho de mulheres grávidas em ambientes considerados insalubres, desde que a empresa apresente atestado médico que garanta que não há risco ao bebê nem à mãe. Mulheres demitidas têm até 30 dias para informar a empresa sobre a gravidez.

19º – BANCO DE HORAS

Regra atual: O excesso de horas em um dia de trabalho pode ser compensado em outro dia, desde que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas. Há também um limite de 10 horas diárias.

Nova regra: O banco de horas pode ser pactuado por acordo individual escrito, desde que a compensação se realize no mesmo mês.

20º – RESCISÃO CONTRATUAL

Regra atual: A homologação da rescisão contratual deve ser feita em sindicatos.

Nova regra: A homologação da rescisão do contrato de trabalho pode ser feita na empresa, na presença dos advogados do empregador e do funcionário – que pode ter assistência do sindicato.

21º – AÇÕES NA JUSTIÇA

Regra atual: O trabalhador pode faltar a até três audiências judiciais. Os honorários referentes a perícias são pagos pela União. Além disso, quem entra com ação não tem nenhum custo.

Nova regra: O trabalhador será obrigado a comparecer às audiências na Justiça do Trabalho e, caso perca a ação, arcar com as custas do processo. Para os chamados honorários de sucumbência, devidos aos advogados da parte vencedora, quem perder a causa terá de pagar entre 5% e 15% do valor da sentença.

O trabalhador que tiver acesso à Justiça gratuita também estará sujeito ao pagamento de
honorários de perícias se tiver obtido créditos em outros processos capazes de suportar a despesa.

Caso contrário, a União arcará com os custos. Da mesma forma, terá de pagar os honorários da parte vencedora em caso de perda da ação.

Além disso, o advogado terá que definir exatamente o que ele está pedindo, ou seja, o valor da causa na ação.

Haverá ainda punições para quem agir com má-fé, com multa de 1% a 10% da causa, além de indenização para a parte contrária. É considerada de má-fé a pessoa que alterar a verdade dos fatos, usar o processo para objetivo ilegal, gerar resistência injustificada ao andamento do processo, entre outros.

Caso o empregado assine a rescisão contratual, fica impedido de questioná-la posteriormente na Justiça Trabalhista. Além disso, fica limitado a 8 anos o prazo para andamento das ações. Se até lá a ação não tiver sido julgada ou concluída, o processo será extinto.

22º – MULTA

Regra atual: A empresa está sujeita a multa de um salário mínimo regional, por empregado não registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência.

Nova regra: A multa para empregador que mantém empregado não registrado é de R$ 3 mil por empregado, que cai para R$ 800 para microempresas ou empresa de pequeno porte.

Veja a Lei na íntegra no site: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm

SOBRE O SAQUE DAS CONTAS INATIVAS DO FGTS – MP 763/2016

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Todo trabalhador que pediu demissão ou teve o seu contrato de trabalho finalizado por justa causa até 31/12/2015 tem direito ao saque das contas inativas de FGTS, de acordo com a Medida Provisória 763/2016.

Os trabalhadores poderão fazer o saque das contas inativas do FGTS no período de 10/03/2017 a 31/07/2017.

Entretanto, conforme informações da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cerca de 7 milhões de trabalhadores não poderão sacar os valores, porque os patrões não fizeram o recolhimento para o fundo.

Se você que se desligou da empresa entre março e dezembro de 2015, caso verificar que seu ex-empregador não realizou os recolhimentos do FGTS, deverá entrar em contato com a empresa e solicitar que o dinheiro seja depositado imediatamente ou acionar a Justiça do Trabalho para cobrar os últimos 5 anos.

O prazo para entrar com uma ação trabalhista é de até dois anos da data do desligamento da empresa para reclamar verbas devidas dos últimos cinco anos.

Passados os dois anos, o trabalhador perde o direito de ingressar com ação na Justiça do Trabalho para reclamar todo e qualquer problema decorrente do não-cumprimento do contrato de trabalho, inclusive os depósitos do FGTS.  Desta forma, recomenda-se que o trabalhador verifique rotineiramente seu extrato da conta vinculada da Caixa Econômica Federal, principalmente quando do desligamento da empresa, a fim de verificar se todos os valores foram depositados corretamente.

O prazo para sacar os valores de FGTS das contas inativas encerra-se em 31/07/2017. Depois dessa data os valores voltam a ficar bloqueados, segundo a Caixa Econômica Federal.

O maior problema, segundo os especialistas, é que muitas empresas que não realizaram os depósitos já estão de portas fechadas ou em processo de falência, o que dificulta para o trabalhador conseguir reaver o seu dinheiro do FGTS.

Os advogados do escritório LUPIAÑEZ FERNANDEZ SOCIEDADE DE ADVOGADOS colocam-se à disposição de seus clientes e interessados para maiores esclarecimentos e informações.

Parte II – DA FRAUDE DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO – FGTS

Depois de saber em linhas gerais o que acontece com o seu FGTS, vamos aprofundar mais a análise, a níveis mais técnicos mas sem deixar a objetividade de lado:

Da Escolha Feita pelo Legislador

calculoDentre as medidas visando a desindexação da economia no Plano Collor II, ao converter a MP 294 na Lei nº 8177/1991, o Legislador estabeleceu que a correção monetária das contas do FGTS (e da poupança) não mais seriam corrigidas pela inflação observada no mês do depósito e do saldo, mas sim baseadas:

1º – na taxa média praticada pelos bancos na captação de recursos via CDB/RDB (TBF) ou;

2º – na taxa de rolagem da dívida pública (SELIC), ambas líquidas de impostos (caput do artigo 1º).

São negócios envolvendo taxas prefixadas, em que o pactuado de antemão a cada dia de contratação o quanto renderia até igual dia do mês seguinte, de modo que para as contas do FGTS seriam considerados o período do dia 1º de um mês até dia 1º do mês subsequente, assim chamada de taxa SELIC ou TBF Mensal que, mediante a dedução dos impostos, deveria gerar a TR mensal nos termos do artigo 17 da Lei nº 8177/1991.

Quanto à metodologia de cálculo ficou a cargo Conselho Monetário Nacional (CMN) para ser estabelecida em sessenta dias (parte final do caput do artigo 1º). Nesse interregno de sessenta dias, coube ao Banco Central do Brasil (BACEN) fixar a TR (§ 3º do artigo 1º).


Do Poder Discricionário do BACEN

É de se ver que o poder discricionário do BACEN e depois do CMN limitou-se em escolher entre as duas opções determinadas pelo Legislador:

1º – na taxa média praticada pelos bancos ou;

2º – na taxa praticada pelo Governo (artigo 1º da Lei nº 8177/1991), tanto é que o BACEN fixou a TR para Fevereiro de 1991 elegendo a opção “2” (a taxa SELIC), que resultou em 6,847974%, arredondados para 7%, certamente numa previsão de que os Estados e Municípios pagavam taxas maiores que a União na rolagem de suas dívidas.

A legalidade da TR corresponder à taxa SELIC foi sacramentada pelo STF, no julgamento do RE 226855/RS, e pelo STJ na Súmula nº 252, ao validar 7% para o mês de fevereiro de 1991.

De modo que o poder discricionário estabelecido pelo Legislador quanto ao valor da TR está expresso literalmente na lei (artigo 1º) e isso restou confirmado pelo STF e pelo STJ.

Isto posto, agora podemos conferir a metodologia estabelecida pelo CMN, quando então restou sem efeito o § 3º do artigo 1º da Lei nº 8177/1991 e o BACEN não mais teve tal poder discricionário que durou apenas sessenta dias para escolher entre as duas taxas para gerar a TR: a TBF ou a taxa SELIC.


Do Poder Discricionário do CMN

No prazo de sessenta dias, o CMN resolveu a questão da metodologia de cálculo da TR, na sessão do dia 27/03/1991 divulgada pelo BACEN através da Resolução nº 1805/91, determinando que fosse calculada pelas taxas praticadas pelos bancos e não mais pela taxa praticada pelo Governo, ao estabelecer que:

– seria constituída amostra da taxa média praticada pelos trinta maiores bancos do país na captação de depósitos a prazo, que envolve negócios com CDB/RDB e outras espécies (artigo 1º);

– o BACEN ficaria encarregado de usar a taxa praticada pelos vinte maiores bancos (da amostra de trinta) em negócios envolvendo só CDB/RDB (caput e inciso I do artigo 3º);

– a TR seria calculada deduzindo-se os efeitos da tributação (legal) e da taxa real histórica dos juros da economia (ilegal), em que ambas as deduções totalizavam 2% da remuneração bruta (razoável), como consta do inciso III do artigo 3º;

– para o cumprimento do estabelecido, poderia o BACEN baixar normas, inclusive mexendo na taxa de 2%, se houvesse alteração na tributação sobre operações financeiras (artigo 5º).

Aprimorando sua metodologia, o CMN determinou, através da Resolução nº 2171/95, que:

– a taxa média praticada pelos maiores bancos nos CDB/RDB seria divulgada com o nome de Taxa Básica Financeira – TBF (artigo 1º e 2º);

– para cada dia o BACEN divulgaria a TBF correspondente a taxa até igual dia do mês seguinte, gerando a TR correspondente;

– o BACEN ficou autorizado a baixar normas e adotar medidas para cumprir o decidido pelo CMN (artigo 6º).

Portanto, o poder discricionário do CMN estabeleceu que a TR seria calculada com base na taxa média praticada pelos maiores bancos nos CDB/RDB menos os impostos, que estes junto com os “juros reais da economia” davam um redutor de apenas 2%, que poderia ser mudado caso fosse alterada a tributação (artigo 5º da Resolução nº 1805/1991).

Assim procederam o BACEN e o CMN, de forma razoável só até outubro de 1997 mas que dali em diante descambou para a ilegalidade explícita cada vez mais perniciosa desde novembro de 1997, como veremos nas próximas publicações.

Parte I – DA FRAUDE DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO – FGTS

Ultimamente, muito tem se questionado sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS e sobre o seu rendimento.

Para este assunto, por se tratar de matéria mais complexa, decidi dividi-lo em algumas partes com a intenção de melhor explicar o que acontece com esse investimento.

MAS O QUE É FGTS?

fgtsFGTS é a sigla de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. É um depósito mensal, referente a um percentual de 8% do salário do empregado, que o empregador fica obrigado a depositar em uma conta bancária no nome do empregado, que deve ser aberta na Caixa Econômica Federal – CEF.

O FGTS nada mais é do que uma “poupança forçada” que tem o objetivo de auxiliar o trabalhador, caso seja demitido, em qualquer hipótese de encerramento da relação de emprego, seja ela por motivo de doenças graves e até catástrofes naturais. O FGTS não é descontado do salário do empregado e sim uma obrigação do empregador.

O FGTS foi instituído em 1966 e é regulado por uma lei federal. Inicialmente, o FGTS existia apenas como forma de garantia de emprego, chamada de estabilidade, ou seja, quando o empregado completava 10 anos de trabalho em uma empresa, não poderia mais ser demitido, a não ser em justa causa.

Quem tem direito ao FGTS são trabalhadores urbanos e rurais, através do regime da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, trabalhadores avulsos, empregados domésticos. Não têm direito ao FGTS os trabalhadores individuais, ou autônomos, ou seja, pessoas que não possuem vínculo empregatício.

O QUE É ESSA TAL DE “TR”?

A TR é a sigla para “Taxa Referencial”. É um índice de referência de juros da economia brasileira, calculado a partir de quanto os bancos pagam por seus empréstimos (CDBs). Alguns investimentos são baseados na TR, como a poupança e empréstimos de habitação.

TR COMO CORREÇÃO MONETÁRIA

Atualmente, muito se questiona se a TR deveria ser utilizada para fins de correção de taxas de juros como as do FGTS. Acontece que, na verdadeira acepção da palavra, a TR não é um instrumento de correção monetária.

O correto seria utilizar um índice de inflação, para “corrigir monetariamente” um valor. Por exemplo: se o seu salário no ano passado comprava X produtos, e depois de um ano os preços desses produtos subiram 10% (isso é inflação), para que meu poder de compra volte ao nível anterior, o salário deverá ser corrigido pela inflação de 10% e não por uma mera Taxa de Referência como a TR.

Agora, pense no seu dinheiro suado e sofrido que foi depositado na conta do FGTS, hoje rendendo 3% ao ano + TR (que é quase nula). Certamente, o valor resultante dessa conta perde feio dos atuais níveis de inflação, que estão na casa dos 10% ao ano.

Logo, em resumo, quanto mais tempo seu dinheiro permanece no FGTS sem ser sacado, mais poder de compra irá perder.

O QUE É ACONTECEU COM A “TR”?

byemoneyO Legislador estipulou expressamente o valor da TR, que tinha valores compatíveis com a inflação na época, mas que foi obedecido apenas até outubro de 1997. Desde então, a Caixa Econômica Federal – CEF, o Conselho Monetário Nacional – CMN e o Banco Central – BACEN descambaram para a ilegalidade cada vez mais perniciosa.

Veremos mais adiante nas próximas postagens sobre a ilegalidade crescente através de abusos que começaram ao instituir impostos artificiais para reduzir o valor da TR até o cúmulo de determinar uma equação para fraudá-la resultando em vergonhosos ZERO POR CENTO ao mês.